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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Considerações e reflexões sobre a espiritualidade


A palavra espírito tem sua raíz etimológica no latim (pra variar) spiritus, que significa "respiração", "sopro", mas também pode se referir a "alma", "coragem" e "vigor". Também pode vir do proto-indo-europeu speis, que significa "soprar". Como se pode ver, não é muito fácil atribuir um único significado a essa palavra, pois os conceitos para espírito variam muito de acordo com os países, culturas, povos, crenças, filosofias e até mesmo individualmente. No entanto, a maioria destes conceitos dizem respeito a algum tipo de força impessoal ou entidade pessoal não-física e sobrenatural, que pode ou não se comunicar conosco e interagir com o nosso mundo físico. Ou até mesmo a alguma força física ainda não muito compreendida pela ciência. O fato é que culturalmente se atribui a quase todo tipo de fenômeno que não se entende uma causa espiritual/sobrenatural, e isso está tão enraizado em nossa educação e costumes que dificilmente é questionado e analisado com rigor.



Quando fazemos esse tipo de análise, de forma aberta e honesta, é que descobrimos que  todas as nossas crenças "espirituais" carecem de maiores evidências para se confirmarem, e baseiam-se apenas numa enorme vontade de acreditar, onde geralmente se espera uma recompensa por esta crença, geralmente um paraíso de paz e felicidade eternos, conceito que é pouco mais do que masturbação mental.  Todas as evidências em prol da existência do sobrenatural, num sentido não-físico-e-religioso, embora possam ter valor jurídico, são circunstanciais, anedóticas e não resistem por muito tempo a uma investigação profunda. Quem ignora isso, ou está muito mal informado, ou age de má-fé. Ainda que tenha sido treinado e doutrinado para assim proceder.


Isto por si só não é tão ruim, já que é um importante mecanismo evolutivo de sobrevivência que nos faz temer o desconhecido e não nos atirar de cabeça no primeiro abismo que aparecer pela frente. São impulsos primitivos e opostos do ser humano, conhecidos como "neofilia" (amor pelo que é novo) e "neofobia" (medo do que é novo). Só que nossa cultura leva isso ao extremo., gerando comportamentos exagerados, idiotas e irracionais  por parte das pessoas, e sufocando o desejo de aprender e crescer. O temor gerado pelo sobrenatural, que é o chicote espiritual submetedor que domina hoje em dia, em adultos é o mesmo que faz as crianças terem medo do escuro. E com terríveis consequências para as nossas vidas, criador da maior parte das guerras, violência, miséria e divisão que se vê no mundo.


A diferença é que as crianças, cujos cérebros e caráter ainda estão em formação, aprendem bem mais rápido, e geralmente perdem o medo do escuro com o passar do tempo e orientação correta, que apresenta uma diversidade de alternativas sem fazer doutrinação. e assumir posições definitivas, o oposto completo da grande maioria de nossas concepções espiritualistas e religiosas. Os adultos geralmente não recebem tal orientação para "perderem o medo do escuro", e mesmo quando a recebem, tem muito mais dificuldade para aproveitá-la, pois já tem sua visão de mundo formada e crenças bem definidas. Geralmente "perder o medo" implica em abandonar suas antigas crenças espiritualistas, concepções políticas - muitas vezes estas duas últimas caminham uma junto da outra - e assimilar mais conhecimento. Adultos e até mesmo crianças educadas dentro de padrões morais rígidos tendem a rejeitar novas idéias e a não desistir de suas crenças, mesmo se lhes provarem logicamente que  idéias alternativas funcionam melhor. Usam desde a simples negação direta e sem darem maiores motivos, onde o terror temor pelo sobrenatural é menos elaborado e mais direto, passando por filosofia e teologia baratas, até complexas explanações  e teorias pseudocientíficas (o criacionismo e o Design Inteligente são exemplos típicos disso) que podem facilmente enganar leigos (o que é frequentemente proposital). Mas, tanto para o mais simples crente analfabeto, como para o mais estudado teólogo e exegeta, o apego emocional pelo conceito de sobrenatural é o mesmo. Assim como o materialismo intelectual que o impede de deixar de lado as antigas idéias.      


Por isso que eu digo sem medo que materialismo - que não diz  respeito apenas ao apego pelos bens materiais - e espiritualidade não são conceitos sempre opostos. Principalmente no que diz respeito à crença religiosa espiritual. O materialismo egoísta, imaturo, mesquinho, pernicioso,  hermético, fechado em si mesmo, que é o mais distante do que poderia ser  de algum tipo de espiritualidade real, é a essência de TODOS os dogmas religiosos, considerados imutáveis e acima da natureza (supranaturais), num sentido de serem "superiores". ou manifestações do divino e do supremo. O que é contraditório, visto que ninguém consegue descrever tais dogmas e até mesmo estes seres espirituais supremos inventados sem usar modelos físicos do mundo natural, na maioria vagos e imprecisos. O que mostra como são nada mais do que facetas e arquétipos das próprias pessoas, como bem mostram vários campos da ciência, a começar pela psicanálise e neurologia - pelo menos quando não flertam com as pseudociências espiritualistas. Talvez a resposta não esteja "lá fora" ou "no além", mas sim nos próprios cérebros das pessoas e no meio em que elas vivem. É muito mais fácil e cômodo, imaginar deuses, anjos, demônios, ETs, fadas e dragões invisíveis na sua garagem, ou até imaginar que o vizinho é um ateu psicopata em potencial, do que se olhar no espelho e meditar. Porque requer menos integração da pessoa consigo mesma e com o que existe ao seu redor.


A meu ver, qualquer tipo de "espiritualidade" ou ideologia que nega, ou pelo menos, subverte a idéia de natureza, e quase sempre julga as coisas e pessoas pelo que elas NÃO SÃO, cria comportamentos aberrantes e que prejudicam e desfocam nossa visão do mundo natural real, que não nos respeita e pouco se importa conosco, mas deve ser respeitado se quisermos sobreviver. E é o que cria esse grotesco materialismo individualista destrutivo que banaliza todas as coisas que existem, inclusive a nossa própria vida, seja em prol de dogmas religiosos ou não. Não se trata apenas de viver em harmonia e equilíbrio com a natureza, como prega essa modinha estúpida da mídia conhecida como "sustentabilidade", mas sim uma verdadeira compreensão de nossa condição de animais racionais insignificantes que fazem parte de um mundo natural em constante transformação. O modo como nos relacionamos com ele e uns com os outros é que reflete nosso nível de consciência, portanto de espiritualidade, e também de inteligência. A salvação não virá dos céus, mas sim de nossa capacidade de nos superar e de nos conhecer. Aliás, é isso que tem sido feito sempre ao longo da História.

1 comentários:

BIROCA disse...

Muito bom blog, gostei muito, virei freguês...um abraço!!!

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