O nosso sistema monetário, porcamente planejado e gerenciado por todos os banqueiros e governos que dele participam, continua emperrado como sempre esteve nos últimos anos. O que, é claro, não impede que mais dinheiro seja injetado no mercado, e a inflação permaneça disparada, encarecendo os produtos e corroendo o salário do trabalhador que fica em permanente desvantagem. Ele fica praticamente impossibilitado de quitar suas dívidas. Parece que nada foi aprendido das crises econômicas anteriores. E o que parece certo é que iremos continuar descendo ladeira abaixo rumo ao desastre total, caso algo não seja feito.
Depois de uma aparente recuperação da crise de fins de 2008, a grande queda da economia mundial teve início neste ano. O endividamento da Grécia e de alguns outros países desencadeou um efeito dominó em toda a Europa. Para evitar o calote grego, que, por consequência, levaria ao calote de todos os seus parceiros da UE - afinal, a Grécia estava devendo para um monte de gente que também estava devendo para outros, mas não tinha dinheiro para pagar - e o colapso total da economia do bloco, os demais países membros inventaram alguns pacotes bilionários de ajuda para aquele país. Mas como, banqueiro nunca faz caridade, impuseram medidas administrativas de austeridade para a Grécia tentar equilibrar suas contas, a começar pelo corte de gastos com pessoal (como é de praxe), o que, em poucas palavras, significa mandar um monte de gente embora. É claro que os ex-empregados não gostaram muito disso e sairam às ruas para protestar.
Outro país duramente atingido pela crise e o desemprego foi a Inglaterra, onde graves distúrbios sociais em Londres levaram a algumas mortes e à prisão de centenas de pessoas, num ato de violência generalizada. Outros distúrbios semelhantes foram registrados na Itália., onde a crise está deixando estragos. Houve manifestações mais pacíficas - com algumas tentativas de repressão policial - em países como Portugal, onde milhares de pessoas foram às ruas protestar contra as falhas do sistema financeiro. Todos estes países estão endividados e tiveram medidas de austeridade - cortes de gastos, demissões, etc. - impostas pela cúpula da economia européia para liberarem os pacotes de ajuda. E em todos eles, estão acontecendo manifestações.
Nos EUA, maior economia do mundo, onde os níveis de desemprego estrutural já atingiram os maiores níveis desde a Grande Depressão de 1929, manifestantes ocuparam Wall Street e alguns tentaram entrar em uma agência do Citibank para tentarem fechar suas contas., sendo que quase MIL pessoas foram presas. Protestos semelhantes também aconteceram em Washington e na capital canadense, Toronto. Nas outras duas maiores economias do mundo, China e Japão, alguns protestos também ocorreram. Prisões e relatos de violência e repressão contra as multidões que saem às ruas, mesmo para protestar pacificamente, estão sendo um lugar comum hoje em dia. Também existe um componente econômico nas revoltas e guerras dos países árabes contra as ditaduras, onde o desemprego e a miséria reinam há décadas.
A meu ver, as falhas estruturais do sistema financeiro na maior parte dos países do mundo são tão graves e escancaradas que já chegamos ao ponto de não-retorno do colapso econômico total., que levará a tragédias sociais nunca antes vistas na História. O desespero dos endividados e desempregados é tamanho que as guerras, crimes individuais e suicídios já viraram lugar comum no nosso dia-a-dia. Não se trata simplesmente de política e economia, mas sim da própria sobrevivência e qualidade de vida do ser humano, que não deveria ter um preço artificial a se pagar. Medidas de austeridade e pacotes de ajuda fictícios visam apenas manter o sistema econômico funcionando, mas não a ajudar os países arruinados e com a corda no pescoço. Se as coisas continuarem assim, não haverá exércitos, e prisões suficientes para conter a imensa multidão de famintos e miseráveis que está se formando ao redor do mundo. E os governos serão obrigados a "jogar a toalha", deixar a completa barbárie tomar conta do mundo, uma verdadeira anarquia dos desesperados.
A crise econômica está mais evidente na Europa, mas já estendeu seus braços por todo o mundo, até mesmo no mundo asiático, e é questão de tempo até atingir o Brasil, que supõe-se estar bem protegido contra ela. Foi na Europa que se iniciaram muitas das grandes revoluções no mundo ocidental, e é bem possível que lá se iniciarão grandes transformações no sistema monetário global, ou talvez a própria substituição do monetarismo por um modelo econômico mais sustentável, coerente e bem-gerenciado, baseado em recursos tangíveis e reais. O próprio dinheiro dos pacotes fajutos de ajuda europeus oferecidos não existe, foi inventado numa jogada com os bancos centrais, em troca de medidas de austeridade e intervencionismo que tem consequências desastrosas para a própria economia do país e ferem diretos constitucionais da maioria dos países, como o direito ao trabalho e a uma vida digna. Aqui no Brasil já passamos por algo parecido com o FMI, no passado.
O fato é que não adianta simplesmente tentar manter as coisas como eram antes da Grande Crise, que é o que os políticos e economistas incompetentes dos países ricos estão tentando fazer. Mas sim repensar o caminho que está sendo trilhado. Com o iminente colapso do sistema monetário, certamente todo o resto cairá, e com isso, começará um verdadeiro apocalipse e a dolorosa transição para novos tempos, que serão ainda mais duros e violentos.

2 comentários:
Texto pecou quando criticou o sistema financeiro do Brasil. Não é porcamente planejado não, e sim um dos mais rigorosos e sólidos do planeta.
E daí ? Se até países com uma economia muito mais forte que a do Brasil quebraram, quem disse que isso não pode acontecer aqui também ? Além disso, o mercado está sempre mudando, não se pode prever o futuro. Estamos num momento de "euforia econômica", nada mais que isso.
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