A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mais uma vez acabando com a festa dos provedores de internet - ou pelo menos, tentando. E quem, teoricamente sai ganhando, somos nós, usuários, que de um modo ou de outro pagamos, e não é pouco, pelo serviço delas. A Agência publicou uma resolução que determina que, a partir do ano que vem, as operadoras deverão entregar uma média de 60% da velocidade contratada. O que demonstra alguma evolução, considerando que o mínimo, ou média, sei lá, exigido atualmente é 10%. É claro que na prática, é difícil chegar sequer nos 10%, com essa internet incrivelmente lerda e instável que se tem no Brasil.
A resolução determina que, em 2012, exatamente um ano depois de sua publicação, além dos 60% médios de velocidade, a velocidade instantânea não poderá ser menor que 20% do contratado em 95% das medições. No ano seguinte, a meta será 70% de média e 30% mínimo. Em 2014, ano da Copa do Mundo, 80% de média e 40% mínimo. Tal medição e monitoramento poderão ser feitos tanto pelo cliente, por meio de um programa fornecido pela operadora, quanto por uma entidade, ainda não especificada, que levantará estatísticas sobre a qualidade do serviço prestado. Com esse medidor, o cliente poderá efetuar reclamações junto à Anatel e outros órgãos de defesa do consumidor, caso a empresa não esteja cumprindo as metas exigidas por lei. Caso seja comprovado o não-cumprimento doloso da obrigação, ela será multada em R$ 25 milhões.
Entretanto, tudo isto só vale para operadoras com 50 mil assinantes ou mais, então quer dizer que as operadoras menores continuarão lesando, deitando e rolando em cima dos clientes com um serviço e atendimento ruim e caro. Principalmente em locais onde não há cobertura das empresas maiores de internet, onde o monopólio dos pequenos provedores de quinta categoria é certo e garantido. Um balde de água fria em vocês, reféns destas más prestadoras de serviços, que só querem saber de arrancar o seu dinheiro. O pior de tudo é o suporte pós-venda, onde tais empresas sequer disponibilizam um plantão decente nos finais de semana e feriados, que é quando a demanda de internet atinge o pico e mais problemas ocorrem.
Não é à toa que, por causa de tanta falta de profissionalismo e principalmente fiscalização, o Brasil tenha as piores e mais caras conexões de internet do mundo, perdendo para a média de países miseráveis, como o Haiti. Se estão usando a Copa do Mundo como desculpa para melhorar a internet, eu não sei, mas é bom que isso reflita em resultados, pois a meu ver, várias leis feitas para proteger o consumidor não são respeitadas . Provedores dedicados de internet só não entraram ainda nas estatísticas dos campeões de reclamações por causa dessa falta de leis mais rígidas que lhes imponham limites, assim como para as operadoras de celular. Se essa resolução da Anatel refletir na nossa velocidade de conexão será ótimo, do contrário, pior do que está, não ficará; continuará a mesma palhaçada que sempre foi.
Quero ver mesmo é como fica esse tal Plano Nacional de Banda Larga frente às novas exigências. Se eles conseguirem entregar uma internet de 64k por preços populares ao povão, será um feito e tanto, considerando que a maior parte da infra-estrutura, cabos e antenas, de conexão do país ainda é remanescente dos anos 90 e década passada, quando banda larga - sinônimo de "internet À RÁDIO" na época - ainda era privilégio de rico. Fibra ótica é sonho tecnológico de Japão e Coréia do Sul, aqui só atende algumas localidades escolhidas à dedo e não necessariamente é utilizada para internet. Internet móvel nem se fala, pois envolve telefonia, e não precisamos nem entrar na questão das operadoras de celular, campeãs de reclamações e processos na justiça. Baixar leis no campo da tecnologia é fácil, adequar-se a elas demanda muito tempo, recursos, estudos, planejamento e trabalho árduo, mas com o nosso "jeitinho" brasileiro, o problema pode se arrastar para sempre, até o fim dos tempos, e ninguém irá fazer nada como sempre, pois esse é o nosso status quo burocrático e ultrapassado.

2 comentários:
Não é bem assim não... a Anatel homologou o plano geral de metas de qualidade, o que quer dizer que as prestadoras terão que fornecer no primeiro ano 40% da velocidade contratada não individualmente mas no coletivo, ou seja, no final de cada período o consolidado da qualidade da velocidade tem q ser de 40%.
Fontes que comprovam isto, por favor...
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