Existe vida inteligente nesse universo além de nós? É provável, o Universo é grande demais. É possível fazer contato com eles? É MUITO improvavel, se algo viajasse próximo à insuperável velocidade da luz mesmo assim levaria muito milhares (milhões?) de anos entre lá e aqui. Na ficção científica o jeito que eles deram foi um modo da matéria viajar mais rápido que a luz. Um meio totalmente fictício, não é?Pois é. Eu andava com saudade de ouvir sobre o CERN (a Organização Européia de Pesquisa Nuclear). Nessa semana o Centro se manifestou "totalmente surpreso" de constatar que os neutrinos podem viajar mais rápido que a luz. "Precisamos ter cautela, muita cautela." afirmou um dos diretores do projeto, Antonio Ereditato. "Pedimos a ajuda de físicos de todo o mundo. Precisamos que tentem replicar nossos resultados. Queremos que a comunidade científica nos ajude a entender nossos resultados malucos. Eles são mesmo malucos. Mas estão lá. São concretos."
No laboratório de Gran Sasso, na Itália, o Opera, uma pequena geringonça de quase 2 mil toneladas, mede a velocidade dos neutrinos lançados pelo LHC do CERN em Genebra, a mais de 700 km, distância que torna a precisão de 20 cm do aparelho despresível. A experiência vem se repetindo a três anos e quase uns 16.000 neutrinos foram lançados, e seus tempos de chegada foram detectados e registrados, num esforço de uns 160 cientistas. Agora, da análise desses dados, surge a informação de que o neutrino teria atingido uma velocidade 60 nanossegundos maior que a da luz, com 10 nanossegundos de margem de erro. É um resultado ínfímo, mas já contraria a teoria de Einsten de que à velocidade da luz a partícula assumiria massa infinta.
O leitor não deve estar pensando em naus siderais singrando o Universo em velocidade de dobra. Mas a notícia é relevante porque a velocidade da luz, tal qual considerada insuperável, uma baliza da Natureza, é a base de muitas leis da Física, inclusive algumas que estão na vanguarda. Seria uma baliza que cai, e nosso enfoque sobre as Leis da Natureza teriam que ser revisadas. "A viagem para o passado poderia ser possível" chegou a afirmar ontem Jeff Forshaw, da Universidade de Manchester. Mas isso, é claro, se refere a envio experimental de partículas ao passado. "Isso não significa que estaremos construindo máquinas do tempo em qualquer momento próximo."
É claro, há céticos. Por exemplo, Marcelo Gleiser do Darthmouth College chegou a apostar U$ 10,00 que em duas semanas eles iram descobrir um erro (detalhe interessante: ele disse isso à Veja). A desconfiança se justifica. Muito pouco se sabe sobre os neutrinos, esses "fantasmas" entre as partículas. Ao gerar o neutrino, por exemplo, eles não podem ter certeza do exato momento no qual ela foi gerada. Mas suponho que eles estejam usando a radição que o neutrino gera ao se chocar com certas substâncias (como sal).
Outra crítica utilizada é que no cálculo da velocidade foi utilizado o velho distância: tempo, tão infalível nos tempos pré-relatividade. Especialistas afirmam que isso não se aplica ao caso. Para medir corretamente seria necessária uma "corrida" um neutrino e um fóton (que "é luz" e viaja na velocidade condizente) e daí medir a diferença entre suas chegadas. Problema? O neutrino atravessa tudo (incluindo a Terra, o que possibilitou a experiência entre a Itália e a Suiça), e o fóton não.
Embora Ereditato afirme que não foi encontrado nenhum erro que possa caracterizar uma "leitura errônea", estamos esperando que experimento seja replicado. O Fermilab americano (que realizou experimento semelhante em 2007) e o T2K japonês (infelizmente desativado desde o terremoto de Março desse ano) seriam os mais indicados.
Particularmente não creio que haja o que comemorar. É deliciosamente tentador imaginar a matéria vencendo a velocidade da luz, mas nem é sobre isso que estamos falando. Por outro lado, alguns argumentos contrários como "isso é impossível porque vai contra as leis da natureza" que muitos cientistas apresentaram não se aplica. A mesma afirmação poderia invalidar TODAS as descobertas científicas. Precisamos admitir que estamos mais uma vez diante de nossa própria ignorância. "Desmentir Einsten" e sua teoria "que funciona tão bem" também não é exatamente um argumento cientificamente plausível.
Até uma meia dúzia de horas antes da postagem do presente a informação ainda não havia sido refutada. Mas questão está aí. Usem os comentários para dar sua opinião sobre o assunto. E vigiem o CERN.
5 comentários:
Um dos meus assuntos preferidos. O fato disso poder ser uma refutação à teoria da relatividade só mostra como a ciência não é dogmática, e está sempre se aperfeiçoando. Parabéns pelo artigo ! ;)
É verdade. Mas aí a gente vê os cabeça de pedra que existem em qualquer meio. O bom da Física é que ela é mais objetiva que algumas outras ciências, ou seja, é questão de tempo até as rochas erodirem :p
Os tais cabeças de pedra, em geral, são religiosos que criticam a ciência por ela estar "sempre mudando". Ainda bem que para a ciência, isso é totalmente irrelevante.
Ou cientistas mais preocupados com o próprio café do que com a Ciência. Convenhamos, nem todo mundo gosta de um F5, e se a Ciência não gerasse Tecnologia que garante a Novidade que garante o Consumo, ai da Ciência.
Também é irrelevante, do ponto de vista científico. Mas é verdade que interesses político-econômico-religiosos podem interferir. Um exemplo é a pesquisa com células-tronco que tem o potencial de tratar inúmeras doenças e deformidades, que poderia estar muito mais avançada se não fosse a intromissão de grupos religiosos e talvez até da indústria farmacêutica. A questão é complexa.
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