Menu

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Considerações e reflexões sobre a morte


A morte (do latim mors) é um dos fenômenos que mais apavora, e ao mesmo tempo fascina o ser humano desde o momento em que ele tomou conhecimento da sua própria existência e de que ela pode sim, ter um fim, do ponto de vista físico. Por causa disso, a morte é rodeada desde tempos imemoriais por numerosos rituais e crenças de todos os tipos, dos mais conservadores aos mais bizarros, em geral a crença num "pós-vida", onde uma suposta essência não-física que temos, chamada de "alma", "espírito" e outras coisas no mesmo juízo de valor, se desprende - o curioso é imaginar como uma coisa não-física se "desprenderia" de uma coisa física - do corpo falecido para iniciar sua caminhada rumo aos diversos níveis do além, ou à reencarnação em algum outro corpo ou objeto (sempre é escolhido o mais incomum possível), dependendo da crença de cada um.


Fora estas incontáveis bobagens espiritualistas, mero processo de aceitação, que produzimos para tentarmos controlar e romantizar a morte, ou simplesmente negar o acontecido quando se trata de um ente querido que parte, do ponto de vista biológico, a morte nada mais é quando um organismo deixa de funcionar completamente. Cessam todas as funções, primeiro dos órgãos, depois do cérebro. Todas as células morrem, e o corpo e seus fluídos viram comida, casa e berçário para as bactérias e outros animais decompositores, quando então apodrece lentamente, liberando gases extremamente mal-cheirosos da fermentação. Depois de alguns meses, provavelmente não restará nada do ser vivo além dos ossos e pelos, que podem resistir por milhares ou milhões de anos. Os fósseis de dinossauros estão aí pra provar.


Do ponto de vista psicológico, que diz mais respeito a nós, humanos - apesar que alguns outros animais também "choram" a morte de seus familiares e queridos -, restam apenas as lembranças que deixamos com nossos parentes e amigos, de nossa curta passagem na Terra. O fim da vida é um assunto tão delicado, que crianças só entendem a idéia da morte, da não-existência, depois de grandes, quando começam a adquirir a idéia da perda e do desapego. Tomar esta consciência durante uma fase tão crítica do desenvolvimento (infância), onde o caráter está em formação, pode ser bastante doloroso, como naquele vídeo em que um garotinho berra por causa da morte de uma formiga.




Já no contexto social, é onde mais ocorrem os numerosos rituais e práticas coletivas e racionalizadas em torno da morte. Organizamos funerais e enterros (ou cremações) exibidos coletivamente, não apenas para aceitarmos e controlarmos a morte de outro até um certo nível, mas também para reunirmos toda a comunidade em torno desse mesmo sentimento em torno do fenômeno. Até mesmo as guerras, extermínios e genocídios, que nada mais são do que matanças organizadas e sistemáticas de grande quantidade de pessoas em muitos lugares diferentes, são uma forma de envolver a morte e torná-la menos estarrecedora. Por isso que tantas pessoas vão a velórios sem ter nenhum tipo de envolvimento com o defunto e seus próximos, e soldados conseguem matar inimigos/vítimas sem qualquer pudor, mesmo quando se trata de não serem mortos também. A morte está colocada no seu devido lugar, controlada pelo domínio coletivo e da força, onde os vivos se apoiam uns nos outros implicitamente para evitar cair de vez no abismo da autoconsciência. Há algo de mórbido nisto, mas é necessário para extravasar determinados sentimentos reprimidos em sociedade, como o egoísmo infantil, a consciência da própria ignorância face ao desconhecido e a violência bestial e descontrolada, os lados mais obscuros do Homem.


A realidade é que a morte em si, é tão sem significado intrínseco quanto a própria vida, pouco importando o sentido que tentemos lhe dar. É apenas mais um fenômeno natural. O próprio Universo e a natureza estão pouco se lixando se estamos vivos ou mortos ou com o que pensamos e sentimos, eles já estavam aqui muito antes de sequer existirmos e continuarão existindo muito depois de partirmos. Um asteróide gigantesco pode cair na Terra e nos exterminar a todos, como ocorreu com os dinossauros há 65 milhões de anos.


Mas o mais provável é que o ser humano se autodestrua, por não praticar a boa convivência e a tolerância com o próximo. Somos demasiadamente materialistas e fatalistas, vivendo sempre na expectativa de um futuro melhor após a morte e em busca de recompensas baseadas em falsas promessas, ou seja, vivemos para a morte, e não para a vida e o presente, criando assim, um mundo cheio de sofrimento e que aceitamos mansamente, dizendo "Amém" a qualquer merda que nos entregam e dizem. Idealizamos demais a nós mesmos em vida, com um senso de superioridade que quase sempre fratura nossa percepção da realidade e prejudica a nossa integração com os acontecimentos em nível de percepção, sendo isto uma psicose coletiva que gera comportamentos aberrantes, como a atual e enorme onda de violência em todos os países. Por tabela, também idealizamos a morte, criando vários mitos e fantasias em torno da mesma, coisas como "céu" e "inferno", conceitos incrivelmente mundanos, polarizadores, políticos e egoístas. Em crianças que mal tem consciência da própria existência, como o moleque do vídeo, isto é compreensível. Em adultos, isto nada mais é do que uma defesa e uma negação da realidade e do presente, pois, se um sujeito nega a vida como ela é agora, como irá aceitar a morte pelo que ela é, no futuro ? Não só morrerá na ignorância, como prejudicará quem ainda está vivo, por ação ou omissão.


Pois a morte nada mais é do que parte da vida, e, por pior que seja para quem morre, do seu ponto de vista, nada mais é que um sono sem sonhos ou um estado de coma sem retorno. Enquanto isso teremos slogans imbecis como "Brasil, o país do futuro" no lugar de "Brasil, o país do presente", para evitarmos encarar a realidade. A Esperança é uma força poderosa, mas também é a droga mais viciante - e mais usada - de todos os tempos. Trabalho duro, boa vontade e planejamento são muito mais importantes, pois o futuro não está escrito, afinal.

3 comentários:

Anônimo disse...

Gostei bastante do blog, estarei sempre acessando =D

Já estou seguindo segue de volta.
http://blogfodasso.blogspot.com/

Gill Nguni disse...

Fascinante. Nem todos estão preparados pra verdade. Passam a vida inteira esperando a morte e deixam de aproveitar um monte de coisas, se punindo e se privando...

Jonatan Cruz disse...

"Gostei bastante do blog, estarei sempre acessando =D" ²

Postar um comentário

POLÍTICA DE COMENTÁRIOS - LEIA ATENTAMENTE

Comentários são moderados. Eles apenas serão aprovados caso não contenham ofensas gratuitas, trollagem, não sejam SPAM, e estejam dentro do assunto do artigo.

Pense antes de postar. Isto não é bate-papo, Orkut e MSN. Se você não tolera opiniões diferentes da tua, este não é o seu lugar.

Agradecemos sua participação !

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Outros sites



Veja mais Tecnologia no doHITS