Talvez ainda não seja 2025, mas imagine: você está em seu carro numa rua qualquer de sua cidade. Você vê que seu combustível está prestes a acabar. Você sai do carro, vai até a lixeira mais próxima acha um saco de cascas de laranja, põe-nas num compartimento de seu veículo e ele realiza a produção de combustível a partir delas. O que o doutor Brown não imaginou é que o tal compartimento pode ser uma espécie de forno de microondas. É óbvio que o filme De Volta para o Futuro (na foto) é uma obra bastante "retrofuturista" de ficção científica, mas combustíveis de biomassa já são uma realidade.Uma boa notícia que li essa semana foi que no Festival Britânico de Ciência em Bradford, Inglaterra, um grupo de pesquisadores ingleses, espanhóis e brasileiros apresentou um novo método de extração química utilizando microondas. A cobaia deles é a casca da laranja. A técnica consiste em pôr as cascas picadinhas em um superforno de supermicroondas (muito mais super que aquele no qual você faz suas pipocas) e deixar a reação da celulose liberar uma variedade de substâncias químicas. Aparentemente a técnica de extração pode ser usada em qualquer coisa que contenha celulose (até mesmo uma folha de papel).
Uma notícia de fonte de combustível renovável é mais do que alvissareira, o ponto extra para esse caso é que, mais ou menos como o bagaço da cana, usa uma matéria prima abundante. Só no Brasil, a industria de alimentos produz 8 milhões de toneladas de resíduo de laranja por ano. Mas o mais legal da casca da laranja é que, além de combustível, ela acaba produzindo substitutos para vários produtos derivados do petróleo que outros resíduos em outras técnicas não produzem, como ingredientes diretos para cosméticos. E aparentemente os subprodutos poluentes dessa técnica são inexpressivos.
É claro, a pesquisa está em andamento, e precisa se mostrar uma produção expressiva, digamos, capaz de extrair uma quantidade significativa de material com o menor custo no menor tempo possível. Existem muitas técnicas de produção de biocombustível, mas nem todas têm o fator que atrai o interesse do capital. Por enquanto, o tal superforno de supermicroondas custaria quase 3 milhões de reais com a capacidade de processar 6 toneladas de resíduo por hora (não consegui o consumo de energia, mas deve ser alto). Resta saber, na prática, o quanto e qual a qualidade dos produtos químicos obtidos em larga escala.
Mas é bom saber que cientistas brasileiros estão envolvidos nesse tipo de pesquisa. Recentemente, a revista Nature, discutindo o potencial não-aproveitado da África em produzir biocombustíveis, citou o Brasil como um bom exemplo. Pode ser que num futuro próximo ainda não seja possível abastecer seu carro diretamente com o resíduo que você acha numa lixeira, mas avanços tecnológicos que tornem podem fazer de nosso país um melhor produtor de biocombustível. E não custa sonhar que o biocombustível se torne o principal combustível. O planeta agradece.
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