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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quando Júpiter foi bombardeado por um cometa


Desde a sua formação, há mais de 4 bilhões de anos, o nosso sistema solar nunca foi um lugar "pacífico", "bonitinho" e "organizado". Cataclismas e colisões na nossa vizinhança são relativamente comuns, sendo eventos de proporções épicas, tal como o surgimento da Lua, resultado de uma grande colisão da Terra com outro planeta.  Um dos acontecimentos mais importantes na história recente do sistema solar foi o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter. Como algo de tal magnitude não poderia passar despercebido, e sendo uma oportunidade rara, astrônomos do mundo inteiro voltaram seus telescópios, detectores e antenas de rádio na direção daquele planeta. Em Julho de 1994, o gigante do sistema solar foi bombardeado por uma chuva causada por um cometa em pedaços.



O cometa Shoemaker-Levy 9 foi descoberto pelos astrônomos Carolyn Shoemaker, Eugene Shoemaker e David Levy em 24 de março de 1993 por fotogradias tiradas no Observatório Palomar na Califórnia. Ele estava orbitando Júpiter há um bom tempo, e, pelos cálculos realizados, havia sido capturado pela gravidade do planeta há 25 anos antes do impacto, estando bem próximo dele. Em sua órbita, passou várias vezes bem perto do planeta. Em 1992, quando o cometa passou a apenas 40000 km de distância aproximando-se ainda mais, forças de maré geradas pela gravidade de Júpiter o despeçaram em mais de 20 fragmentos, que os astrônomos nomearam com as letras do alfabeto, de A a W. Os astrônomos previram a colisão para julho de 1994.


Eles também estimaram que os fragmentos teriam entre algumas centenas de metros até 2 quilômetros, o que sugere que o núcleo do cometa tinha de até 5 quilômetros de diâmetro, sendo portanto de tamanho considerável. A colisão seria uma oportunidade única para observar o interior da atmosfera de Júpiter, normalmente escondida sob densas camadas de nuvens, pois materiais dele seriam ejetados para fora pelo impacto. Outros efeitos sugeridos seriam grandes ondas sísmicas atravessando Júpiter e um aumento da neblina na estratosfera devido à poeira gerada pela colisão, e um aumento na quantidade de material nos anéis de Júpiter.


Vários astrônomos se preparam para observar o impacto. Telescópios em terra e em órbita, como o Hubble, satélites detectores de raios X como o Rosat, e também várias sondas espaciais, como a Galileu (que estava a caminho de Júpiter), Ulysses e a Voyager 2 que já havia passado de Netuno foram ajustados para obter dados do evento. O fragmento A atingiu o hemisfério Sul de Júpiter em 16 de julho de 1994 a uma velocidade de 60 km/s, criando uma bola de fogo que instantaneamente atingiu uma temperatura de mais de 23000º C e uma nuvem com mais de 3000 km de altura. Astrônomos esperavam ver a bola de fogo do impacto, mas logo notaram uma grande macha escura de 6000 km de extensão, o mesmo raio da Terra.



cometa
Bola de fogo da colisão do fragmento A com Júpiter, fotografada pelo Hubble

Ao longo de seis dias, foram obervadas 21 colisões de fragmentos do cometa com Júpiter, sendo que a maior delas ocorreu no dia 18 de julho, quando o fragmento G se chocou com o planeta. Este impacto provocou uma mancha de 12000 km de diâmetro (o mesmo da Terra), liberando uma energia de 6 milhões de megatons, ou seja, o equivalente a 600 vezes todo o arsenal nuclear do mundo. No dia seguinte, dois impactos provocarem um efeito similar, e as colisões continuaram até o dia 22, quando o fragmento W caiu em Júpiter, e o cometa Shoemaker-Levy 9 virou História, engolido pelo gigante gasoso e se tornando parte dele.


Júpiter exibindo manchas de impacto no hemisfério sul. Elas ficaram visíveis por meses, e foram regiões de temperaturas elevadas.

Como havia sido previsto, ondas sísmicas se propagaram pelo planeta a uma velocidade de 450 km/s, por mais de duas horas após os impactos maiores acontecerem. Apesar da enorme força da colisão dos pedaços do cometa, pensa-se que eles não atingiram camadas muito profundas de Júpiter, como a hipotética nuvem de água que existiria na troposfera. Portanto, as ondas sísmicas teriam se propagado apenas na camada superficial do planeta, a estratosfera, pois o material ejetado no impacto não conteria quantidades significativas de água.


Um outro impacto ocorreu em 29 de Julho de 2009, produzindo uma mancha do tamanho do Oceano Pacífico em Júpiter, sendo causado por um pequeno asteróide. Estima-se que a frequência de impactos de corpos celestes naquele planeta seja milhares de vezes maior do que na Terra, portanto vivemos num local relativamente seguro, por enquanto.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cometa_Shoemaker-Levy_9

3 comentários:

Ambiente de Leitura CR disse...

Fascinante! Certamente a colisão não terá ocorrido à toa. Dela resultará, quem sabe, o surgimento dos primeiros jupiterianos.

MU Hero disse...

eu sempre tive uma duvida... com certeza ja ouveram impactos tao fortes quanto o mesmo, os asteroides entraram em jupiter... entao a massa dos asteroides faz parte de jupiter fazendo jupiter nao ser exatamente um gasoso e tbm ter massa?

AJPR disse...

Júpiter é feito de matéria (gás), logo tem massa. Sua pergunta não faz sentido.

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