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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Minas de prata do Cerro Rico, o pior trabalho do mundo


A colonização espanhola na América foi uma das mais brutais e marcantes da História. Grandes civilizações que aqui existiam, como os incas, foram destroçadas pela força das armas,  submetidas à completa escravidão e à conversão compulsória ao catolicismo. Grandes quantidades de metais preciosos foram extraídos e mandados para a Espanha, garantindo o sustento dos luxos da corte real. Um importante ponto de extração de prata, e, mais tarde, estanho, foi a então vila de Potosí, na Bolívia, onde fica a mina de prata de Cerro Rico, um dos mais desumanos locais de trabalho do mundo, onde homens perdem a vida ou chegam à invalidez quase todos os dias por uns trocados para não morrerem de fome. Uma grande aberração do sistema monetário.




Potosí atualmente é a cidade mais alta do mundo, situada a 3967 metros de altitude, e tem quase 200 mil habitantes, na maioria de descendência indígena, pobres e de baixa escolaridade, sendo capital do departamento de mesmo nome. Sua fundação ocorreu em 1546, logo após a descoberta de prata exposta a céu aberto por um nativo quechua chamado Diego Huallpa, o que logo trouxe expedições ao local. Em 1611, Potosí já era a maior produtora de prata do mundo, com 150 mil habitantes. No seu apogeu, ainda no século XVII, foi a cidade mais rica do mundo e a segunda mais populosa, perdendo apenas para Paris. No entanto, quando a maior parte das jazidas de prata tinha se esgotado em 1825, os trabalhadores e suas famílias ralaram peito e a população de Potosí caiu para apenas 8000 habitantes. No começo do século XX, foi descoberto estanho no local e a cidade voltou a crescer.


Um dos grandes remascentes da época colonial, além da grande catedral gótica e da universidade, são as minas de prata de Cerro Rico, de onde até hoje trabalhadores humildes tiram seu sustento, e o centro gravitacional do qual a economia da cidade depende. Por causa da falta de segurança e das terríveis condições de trabalho dentro da mina, os potosinos dizem: "seria possível construir uma ponte com toda prata explorada indo de Potosí a Madrid (N.R.: capital da Espanha) e outra de ossos e restos humanos voltando de Madrid a Potosí". Desde a sua fundação, há quase 500 anos, até hoje, estima-se que 8 MILHÕES de homens já perderam a vida nas minas em Cerro Rico, fora os muitos milhões de idoentes crônicos, inválidos e mutilados. E tudo isso para tentar a sorte grande e ficar rico encontrando grandes veios de prata, que ainda podem existir dentro da montanha, apesar que a maioria não ganha mais de R$ 400 por mês, em moeda local, mas não tem outras opções de trabalho.


Mineiro boliviano empurra vagão carregado, na mina de prata

Uma grande quantidade de pó circula no interior da mina de Cerro Rico, tornando o ar já rarefeito da grande altitude praticamente irrespirável. Temperaturas superiores a 40 graus são comuns, criando uma atmosfera sufocante.  Nestas condições, mineiros empurram para fora da mina com as mãos, vagões com até 2 toneladas de minério e içam dos poços e túneis centenas  de quilos de pedras ao mesmo tempo. Escavam, sobem e descem buracos e detonam cargas de dinamite em busca da prata ou para abrir novos túneis sem qualquer tipo de proteção ou maquinário além de um capacete e escadas improvisadas. Vigas rudimentares de madeira sustentam o enorme peso da montanha que muitas vezes desaba sobre eles. Acidentes e mortes são comuns por causa disso. Para enganar a fome, a sede, o cansaço, e o desespero, os mineiros mastigam folhas de coca (matéria prima da cocaína) e bebem cachaça, não havendo horário de almoço, apenas pausas de meia-hora, numa jornada de trabalho de até 12 horas por dia.


Os hospitais de Potosí e da região estão sempre repletos de trabalhadores de Cerro Rico, doentes, feridos e inválidos. É comum, por causa da poeira grossa da mina, problemas pulmonares irreversíveis atingirem os mineiros,  chegando em casos extremos ao "empedramento" dos pulmões, pois eles não usam qualquer tipo de máscara ou tanque de ar necessários a essas condições. Como o trabalho deles é por produção, deixam de receber dinheiro, sendo frequentemente encostados por invalidez. Estando dentro da mina ou no hospital por causa dela, é raro a expectativa de vida dos mineiros passar dos 45 anos. Como a economia de Potosí depende excusivamente da prata, restam bem poucas esperanças para estes homens e suas famílias. Não que o resto da Bolívia seja muito melhor, pois é um dos países mais miseráveis e corruptos da América do Sul, escasso de muitos recursos naturais, esfolado pela colonização espanhola e assolado por uma economia deficiente.


2 comentários:

João Ricardo disse...

O homem é lobodo homem...

GASSMD disse...

GOSTARIA DE SABER: JORNADA DE TRABALHO E SALARIO DOS POLITICOS DESTE LOCAL, DEUS FIQUE COM VOCÊS BOLIVIANOS.

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