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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Planeta dos macacos, a origem - Filme


Filmes hollywoodianos são mais ou menos previsíveis, já que vários deles, independente do orçamento, são muito ruins e feitos apenas para arrancar dinheiro do teu bolso. O que não mudou muito desde o surgimento da indústria cinematográfica. No entanto, alguns deles seguem premissas interessantes e que nos fazem pensar além dos efeitos especiais, das cenas de ação e até mesmo da atuação dramática dos atores, que não precisam ser super-astros. Em poucas palavras, tem uma boa história e são bem dirigidos. Planeta dos Macacos - A Origem (The Rise of the Planet of the Apes) é um destes filmes. A premissa dele é a mesma do clássico seriado de TV  dos anos 60/70 no qual é inspirado. No faz pensar no que aconteceria se de repente nossos parentes mais próximos na natureza - os macacos - ficassem tão ou mais inteligentes do que nós e se tornassem a espécie dominante do planeta, e produz outras reflexões. Ao mesmo tempo em que dá uma explicação para os acontecimentos que tornaram isto possível.



Will Rodman (James Franco) é um cientista louco besta que trabalha numa grande empresa de biotecnologia, desenvolvendo uma droga, baseada em um vírus chamado ALZ-112, tentando achar uma cura para o seu pai, que já é idoso e vítima do Mal de Alzheimer. Ao mesmo tempo em que testa em segredo o ALZ-112 em chimpanzés no seu laboratório, testa a droga em seu próprio pai em casa. Rodman acaba descobrindo, para sua frustração, que a droga tem efeitos apenas temporários em humanos, cujos corpos criam anticorpos contra o vírus, ao passo que nos chimpanzés causava o nascimento de mais neurônios, aumentando consideravelmente o QI deles. Algum tempo depois, um grave acidente ocorre em seu laboratório: Uma chimpanzé fêmea, sentindo-se ameaçada, enlouquece e quase escapa da empresa onde Rodman trabalhava, sendo morta a tiros por seguranças. Mais tarde é descoberto que ela estava tentanto proteger seu filhote recém-nascido, no entanto a culpa é colocada no ALZ-112. O evento quase custa o emprego de Rodman e corta os fundos para sua pesquisa, onde todos os macacos usados como cobaias foram sacrificados, menos o filhote, que foi salvo por Rodman e adotado por ele. Então ele decide continuar a fazer os testes com o ALZ-112 em sua casa, para onde levou o filhote de chimpanzé (o qual batizou de César). Seu pai não apresenta melhora, no entanto César fica cada vez mais inteligente e indepentente, enquanto Rodman luta para fazer com que o diretor da empresa onde trabalha volte a financiar seu estudo com a droga. A partir daí os problemas começam e grandes reviravoltas acontecem.


A atuação dos atores principais (James Franco e Freida Pinto, no papel de Caroline Aranha) é razoável, considerando que eles são ilustres desconhecidos no cinema. Além disso, o papel deles aos poucos se torna bastante secundário à medida que os acontecimentos ficam totalmente fora de controle e tem repercussões gigantescas, o que foge do clichê do "super-herói/mocinho que tem que salvar o mundo ou consertar as coisas e fica com a mocinha no final". César se torna o personagem central da história e Rodman vira mais um observador, quase coadjuvante, apesar de continuar tendo importância. E mesmo no começo do filme, ele fez apenas o papel do cientista que faz suas pesquisas sem pensar por um segundo nas consequências, o evento que dá início a tudo, apesar de ter uma justificativa (achar uma cura para seu pai). O que, infelizmente, é um lugar muito comum em filmes hollywoodianos e soa um pouco forçado.


No entanto, o filme tem um conceito bem elaborado e uma boa premissa, fechando assim o arco da história do Planeta dos Macacos, apesar de ser bem diferente no livro no qual se baseou. César passa por todos os tipos de provações para se libertar da opressão e dependência dos humanos enquanto ajuda seus companheiros peludos a fazerem o mesmo. É divertido ver os humanos sendo ownados pelos macacos, mesmo tendo uma tecnologia muito superior. Mas o que me surpreendeu foi que o filme não apresenta os macacos como uma ameaça real à humanidade, já que eles estavam apenas tentando se libertar de suas jaulas e correntes e encontrarem um lugar para si. Todas as realizações da nossa civilização são colocadas como fúteis, como se estivéssemos condenados. A verdadeira ameaça à nossa supremacia como espécie era outra...


Enfim, Planeta dos Macacos, A Origem é um bom filme para se assistir com a família em uma tarde de domingo, comendo pipoca e tomando refrigerante. Mas assim como o livro e a série onde se inspirou, leva a uma reflexão da nossa própria condição de animais primatas, pois é quase impossível não nos identificarmos com os chimpanzés e outros símios, que anatomicamente e geneticamente são quase iguais a nós e tem um certo nível de inteligência e organização social. Nossa enorme arrogância nos faz pensar que por sermos inteligentes somos superiores à própria natureza de onde viemos e que podemos fazer dela o que bem entender, sem sofrer depois. Pois nós não somos mais "especiais" aqui na Terra, somos apenas macacos extremamente inteligentes (há muitas exceções...), assim como o César do filme, que descobre a falta de sentido para sua existência e até mesmo sua autoconsciência e deseja encontrar a liberdade e o seu lugar no mundo, assim como nós queremos encontrar os nossos. E há milhões de anos estamos assim.


Trailer do filme:



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