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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cientistas continuam os testes em busca da "partícula de Deus"


No dia 13 deste mês, pesquisadores do CERN anunciaram que o Grande Colisor de Hádrons europeu (LHC) encontrou sinais daquilo que poderia ser o Bóson de Higgs, ou "partícula de Deus".  Em testes independentes, os detectores CMS e Atlas dentro do LHC, detectaram pequenos picos de energia ao longo das bilhões de colisões de partículas, dentro da faixa prevista pela teoria para a existência da partícula. No entanto, os dados obtidos ainda são insuficientes para se tirar quaisquer conclusões. É claro que a imprensa, como sempre, colocou o carro na frente dos bois e fez escândalo afirmando que estamos próximos da descoberta da "partícula de Deus".



Tanto o CMS quanto o Atlas localizaram o suposto bóson de Higgs em concentrações e intensidades diferentes dentro da mesma faixa de energia de colisão. Ao contrário do que isso possa parecer, o fato de dois experimentos independentes estarem apontando para esta mesma faixa prevista pela teoria aumenta a credibilidade deles.  O problema é que as flutuações obtidas são fracas demais e podem ter aparecido aleatoriamente, igual a se obter dois pares de seis seguidos em um jogo de dados. Portanto, os resultados apresentados não são conclusivos, e serão necessários refinamentos para se chegar a uma conclusão definitiva sobre a existência ou não do bóson de Higgs. Isso só acontecerá no final do ano que vem, isso se o mundo não acabar neste meio-tempo, conforme alguns catastrofistas prevêem. No entanto, se o bóson for real e o mundo continuar existindo em 2013, muitos  cientistas ganharão Prêmios-Nobel e a Física passará por uma verdadeira revolução.


O Grande Colisor de Hádrons europeu, com 27 km de extensão

Isto porque a chamada "partícula de Deus", prevista por Higgs em 1964, seria responsável pela "materialidade da matéria", gerando o chamado "campo de Higgs". Este campo invisível atrairia todas as partículas sub-atômicas para si, dando-lhes massa. Sem ele nada no Universo teria massa, portanto todas as partículas se moveriam eternamente à velocidade da luz, e assim não teriam sido formadas galáxias, estrelas, planetas e seres humanos. O Modelo Padrão da Física, pelas óbvias dificuldades experimentais, não prevê uma massa exata para a partícula, mas sim um intervalo de massas prováveis (calculados em Giga-elétron-Volts, ou GeV), e é neste intervalo que os experimentos com o LHC estão sendo realizados. Conforme aumenta a precisão dos testes, eliminando-se as faixas de energia que não apresentam picos, estreita-se cada vez mais o intervalo de massas prováveis. Os picos encontrados pelos detectores foram encontrados numa faixa de 124 e 125 GeV, o que é 130 vezes mais pesado que os prótons. Isso só foi conseguido graças à aceleração absurda das partículas conseguida pelo LHC, que colidem a velocidades próximas às da luz, liberando radiação à temperatura de trilhões de graus.


Caso o bóson de Higgs seja encontrado na referida faixa de energia, será planejado um novo acelerador de partículas para estudá-lo especificamente. Em caso negativo, serão consideradas outras teorias baseadas no Modelo Padrão, que tentam explicar a origem da massa, e, portanto, do estado da matéria no Universo. Isso se ainda estivermos aqui até lá. :)


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