Como todo mundo já está careca de saber, o Brasil é uma grande mistura de povos de todas as partes do mundo. Alguns que no passado foram dominantes, e outros, dominados. Os portugueses que nos colonizaram trouxeram consigo o catolicismo, sua cultura e também escravos, muitos escravos da África. Além da força bruta e das dívidas, outra forma de apaziguar os povos dominados, isto é, os índios que aqui já viviam antes de sua chegada e também os negros trazidos, foi a religião, através da cataquese. Era de interesse da Igreja Católica expandir a sua influência pelas colônias, e ao mesmo tempo "salvar" as almas dos povos nativos, só que ela se defrontou com um sério problema: A religião pagã dos povos que estavam conquistando, enraízada em milhares de anos de cultura e tradição dos nativos. Que em parte se perdeu, por ter simplesmente sido destruída, ou então misturada com características do catolicismo.
Esta mistura entre características de religiões distintas é conhecida como sincretismo. No caso do catolicismo português, e também do espanhol, foi a assimilação por parte dos negros e indígenas de muito da liturgia, imagens e cultos cristãos dos colonizadores em suas próprias práticas religiosas. Inicialmente foi causada tanto pela catequese dos padres jesuístas, que, subvertiam gradualmente a religião nativa tentando deixá-la o mais parecida possível com o catolicismo visando facilitar a catequese e conversão do seu "rebanho", quanto pela própria vontade dos povos conquistados, os quais em geral tinham maior aceitação para religiões de fora. Por isso que existe no Brasil, particularmente na Bahia, tanta mistura entre ritos africanos com imagens e termos cristãos, mas isso ocorre no país inteiro. Por exemplo, o culto a Iemanjá e a forma como esta entidade é geralmente representada (gravura do início do artigo), como uma mulher branca, foi claramente influenciada por imagens de Maria, mãe de Jesus no mito cristão. Iemanjá, nome de um rio africano, na mitologia Yoruba, era originalmente representada por uma mulher negra, e aqui no Brasil é considerada Rainha do Mar, uma dos principais orixás existentes na cultura afro-brasileira. No entanto, muitos que não são afro-descendentes também seguem o culto a ela. Nomes de santos cristãos também são muito utilizados na Umbanda, Quimbanda e outras práticas religiosas, confundindo-se com os orixás que já existiam.
Isto também ocorre dentro do espiritismo, de origem francesa e bastante popular no Brasil, onde os santos, além de Jesus, são geralmente aceitos como entidades de nível elevado, onde suas representações não mudam muito, só o seu papel na história. Aliás, o espiritismo, devido à sua natureza relativamente aberta, é uma das religiões onde mais ocorre sincretismo, onde quase todas as demais se encaixam sem maiores problemas. Dentro dele, vale quase tudo, de santos católicos a extraterrestres, já que tudo é tido como tentativas do mundo espiritual de dar um empurrãozinho na evolução da humanidade e fazê-lo tomar conhecimento de sua verdadeira origem e destino.
O caminho inverso também ocorre. Podemos encontrar, por exemplo, imagens católicas de Maria e seu filho Jesus representados como negros, incluindo aquela que está na Basílica de Aparecida do Norte (considerada padroeira do Brasil pelos católicos), supostamente encontrada por pescadores no século XVIII. Só que, neste caso, trataria-se mais de um sincretismo cultural com identificação racial, pois, na realidade, houve pouca ou nenhuma influência das religiões africanas sobre a doutrina cristã, bem solidificada e dirigida no Brasil. O cristianismo em si também é uma mistura de muitas outras religiões da Antiguidade, como o mitraísmo, a egípcia, celtas e as greco-romanas, entre outras, com o judaísmo mas isso ocorreu na Europa e Oriente Médio, muitos séculos antes. Mas basta saber que os cristãos são um dos maiores exemplos de sincretismo que já existiram. No caso das imagens negras, seria uma espécie de aceitação e aproximação dos afro-descendentes com o cristianismo, apesar que uma parte da sua cultura e tradições nativas se perdeu para sempre, graças aos colonizadores e jesuítas.
Um outro exemplo curioso de sincretismo é a forma como a religião indígena é ensinada no Brasil, inclusive na escola, e reflete bem o engano resultado da catequese dos tempos coloniais e da destruição da cultura indígena. Por exemplo, no lugar de Deus, temos Tupã como o deus supremo das nações indígenas. O que não é verdade, pois na verdadeira mitologia indígena brasileira, não há um deus supremo no sentido antropomórfico e pessoal, mas sim uma energia geradora do universo que sempre existiu e existirá, chamada de Nhanderuvuçú, que consiste na própria totalidade da natureza. O próprio Tupã é apenas uma representação da força do Trovão e dos raios, ou seja, é o equivalente ao deus nórdico Thor só que sem uma forma humana, pessoal. Uma breve citação a esse respeito retirada da Wikipédia que ilustra bem o assunto:
A religião "Primitiva do Brasil", não inclui nenhum personagem antropomórfico (forma humana) em suas crenças, apenas Poronominare e Amaú possuem essa forma mas, não são divinos, são animais também e, portanto pertencem à Caaporã, o protetor de toda a natureza viva e isso inclui todos os seres vivos inclusive nós os animais humanos.
A história está repleta de exemplos deste fenômeno religioso. No caso do Brasil, a colonização violenta e exploratória, conseguiu criar uma verdadeira salada de culturas e religiões que hoje faz parte do nosso dia-a-dia e muito pouco das culturas nativas foi preservado, tanto que até na escola são ensinadas coisas erradas sobre a história deles e principalmente suas religiões, alienando o povo brasileiro de sua própria origem, que só conhece o que acontece na Europa e nos EUA. No caso de países mais evoluídos como o Japão e sobretudo a China, foi bem diferente, pois eles saíram na porrada e conseguiram expulsar os colonizadores e jesuítas de lá, mantendo sua cultura e filosofia intacta até hoje, assimilando apenas o que era vantajoso para eles, sobretudo tecnologia e mercadorias (commodities) que não possuiam. Ainda assim, entre aqueles que são descendentes de povos conquistados no passado, existem os que se esforçam para de algum modo preservar, as memórias e as tradições de seus antepassados, mesmo aqui no Brasil, onde o desrespeito e o racismo imperam apesar da diversidade. Não se trata apenas de orgulho, mas sim da sua própria identidade e história.

3 comentários:
Isto está mudando, e rapidamente...
A verdade é que, antigamente, poucos sabíamos sobre leis da física e o universo. Fenômenos naturais poderiam ser considerados como “medidores do humor” dos deuses. Uma sociedade do século V poderia achar que um raio era obra de deus, ou se uma doença contaminasse sua população, seria considerado um castigo divino sobre os pecadores.
Ao longo da história, os fenômenos passaram a ser entendidos.
As ciências evoluíram e, atualmente, conseguimos explicar grande parte das coisas que acontecem ao nosso redor.
O conhecimento humano foi evoluindo e os ateus foram aumentando de numero conforme entendemos melhor o universo em que vivemos.
Podemos entender esse aumento do nosso desenvolvimento observando os países em que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é maior e fazendo um balanço de acordo com o número de pessoas religiosas que o habitam.
Uma profunda pesquisa realizada em 2008 e publicada no Financial Times mostrou as taxas de população ateia nos Estados Unidos e em cinco países europeus.
As menores taxas de ateísmo estão nos Estados Unidos, apenas 4%, enquanto as taxas de ateísmo nos países europeus pesquisados foram consideravelmente mais altas: Itália (7%), Espanha (11%), Reino Unido (17%), Alemanha (20%) e França (32%).
Os números europeus são semelhantes aos de uma pesquisa oficial da União Européia (UE), que relatou que 18% da população da UE não acreditam em um deus.
O estudo mostra ainda uma porcentagem estimada de ateus de 85% na Suécia, 80% na Dinamarca, 72% na Noruega e 60% na Finlândia.
Segundo o Escritório Australiano de Estatísticas, 19% dos australianos declararam-se como “sem religião” ou ateus.
Entre os japoneses, 64% são ateus, agnósticos, ou não acreditam em um deus.
Por outro lado, os países mais miseráveis – e conseqüentemente com baixos índices de educação e conhecimento - são os mais religiosos, como é o caso de Bangladesh, Nigéria, Iêmen e Indonésia.
Fica fácil verificar que estes países - com maior número de ateus - são os que ocupam os primeiros lugares no ranking do IDH de 2010, mostrando claramente que o ateísmo está diretamente ligado as melhores condições sociais de um país.
Foi assim que a quantidade de ateus crescendo no mundo firmou-se como uma forma de medir a evolução da humanidade.
Acredito somente no Deus pregado pela igreja católica e algumas poucas protestantes.
Bem com relação ao IDH, como apresentou Roberto Copeti, é fácil explicar, porque os paises distantes de Deus são mais ricos, Deus preza a vida depois da morte, seremos realmente felizes quando estivermos junto de Deus, ao contrario do Diabo, que oferece as coisas do mundo para afastar as pessoas de Deus, e corrompe suas vidas em pecado. Esses mesmos países com IDH elevado são também os que apresentam maior índice de suicídio, por que sera? riquezas e felicidades do mundo eles tem, oque sera que falta?
E com relação a mistura de religiões, tudo e qualquer adoração que não seja a Deus todo poderoso por meio de Jesus Cristo, é obra do Demônio, ou não conhecem o livro de apocalipse onde fala sobre falsos deuses e profetas? lemanjá, é uma adoração clara a Leviathan, demônio cujo elemento aguá o representa. E terreiros de macumbas e centro espiritas são um parque para os demônios que interferem na vida das pessoas, fazendo as se afastar de Deus.
Espero que minhas leigas palavras, impulsionem a todos ateus, rezarem ao menos uma vez e pedir para Deus mostrar o caminho correto de suas vidas.
"Esses mesmos países com IDH elevado são também os que apresentam maior índice de suicídio, por que sera? riquezas e felicidades do mundo eles tem, oque sera que falta?"
Talvez aqui haja uma explicação sobre o que realmente falta: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1422478
Nada mais que um fenômeno sócio-econômico. Nada a ver com ateísmo, teísmo ou coisa parecida.
Agora, que tal botarmos na conta de Deus os maníacos suicidas/homicidas de diversas religiões em vários países, que acham que vão pro céu por morrerem em nome dele ?
E não me venha com a falácia do falso escocês de que eles não são verdadeiros seguidores do seu Deus.
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