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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O "design" do olho humano que não tem nada de inteligente


Apesar de todos os avanços científicos do último século e início do atual, o ser humano nunca deixou de ser um tolo animal que continua inventando mistérios onde nada existe de misterioso, enquando ignora as reais maravilhas do mundo que o cerca. Isto acontece tanto por causa do seu egocentrismo quanto por seu medo do desconhecido, que o impede de ver além da superfície e do aparente. Quando ele contempla, por exemplo, a suposta perfeição e a complexidade do olho humano e de outras formas da natureza, não consegue imaginar que aquilo pode ter sido um simples resultado dos fenômenos naturais, como reações bioquímicas, cruzamentos, alterações genéticas graduais e a seleção natural, que possibitou que os seres humanos com tais olhos, que foram importantes para sua sobrevivência, pudessem se reproduzir. No seu entendimento, TEM que ter havido um projeto, e portanto um projetista (quase sempre chamado de Deus) para elaborar tais olhos, assim como uma lente de câmera tem que ter um projeto e um projetista. Pelo menos, este é o argumento proposto pelos defensores do design inteligente (DI) e da complexidade irredutível.
  

Um argumento muito comum usado pelos proponentes do DI é a dobradinha olho humano + complexidade irredutível. Esta última nos diz que, em qualquer sistema complexo, se retirarmos uma única parte dele, ele deixa de funcionar, o que, em uma primeira análise, mostra que ele foi cuidadosamente projetado. Não poderia ser um simples resultado das interações dos fenômenos naturais, como a evolução das espécies. Em seu livro polêmico Darwin Black Box (A Caixa de Preta de Darwin), o autor Michael Behe cita diversos exemplos de sistemas naturais que ele considera que são irredutivelmente complexos, como o sistema imunológico. E faz comparações destes sistemas naturais com ratoeiras. Segundo o criacionista Jonathan Sarfati, bastaria tirar qualquer parte, tanto do olho quanto da ratoeira, para eles deixarem de funcionar. Inclusive, o próprio Darwin teria admitido tal complexidade do olho, em seu livro A Origem das Espécies.


O problema com este tipo de raciocínio - é nisso que dá teorias mirabolantes e pseudocientíficas que, obviamente, não são  revisadas por cientistas antes de serem publicadas - é que, tanto o olho humano quanto a ratoeira podem ter partes retiradas sem perderem a sua funcionalidade. E Darwin não admitiu que o olho era irredutivelmente complexo, mas, é claro, suas afirmações foram retiradas de contexto, coisa, aliás, comum entre criacionistas e defensores do DI - que no fundo, são a mesma coisa. Darwin defendia que a complexidade do olho humano é nada mais que o resultado da evolução dos olhos relativamente mais simples de nossos acentrais, que por sinal funcionavam tão bem quanto os nossos. Evolução das espécies não significa necessariamente "melhoria", ainda que haja um aumento da complexidade, o que também não ocorre sempre. Se um olho de um determinado animal for mais simples que o nosso, mas favorecer ou pelo menos não prejudicar a sua adaptação ao meio em que vive em certa época, pouco importa o seu nível de complexidade. A seleção natural favorece apenas aos que nasceram mais adaptados.


É claro que as montanhas de evidências que apontam contra a complexidade irredutível, refutando Michael Behe e outros criacionistas, obtidas por especialistas de diversas áreas - microbiologia, genética, paleontologia, fisiologia, etc. - não irão convencer os pseudocientistas do DI, que não é nada mais que o criacionismo 2.0, travestido de ciência. Muito menos as derrotas que eles já sofreram nos tribunais, tentando banir o ensino da teoria da evolução e legalizar o ensino do DI nas escolas, usando de manobras políticas e até de um terrorismo mais direto, como ameaças e queima de livros e matérias que ensinam a evolução (assistam Inquisição, o Retorno, amiguinhos). Isto porque suas idéias se baseiam numa interpretação literal da Bíblia, principalmente dos dois primeiros capítulos do Gênesis, gerada por um fundamentalismo religioso exacerbado. Engraçado que, ao mesmo tempo em que alegam que a teoria da evolução se baseia em crenças e fé, e que o DI é científico, não vêem nenhum problema em acreditar num Deus projetista invisível e inexplicável, que não pode ser falseável e testável por qualquer tipo de método científico. A base de sustentação do DI e da complexidade irredutível nada mais é que uma vontade de acreditar que há um projeto na natureza, para se ter uma desculpa poder colocar um projetista na história. Nada mais que wishful thinking.


Para finalizar e nos divertimos um pouco, é curioso como os fundamentalistas gostam de exaltar a "perfeição" e a "complexidade" de órgãos tais como olho humano como uma obra divina perfeita, mas ficam desconcertados quando lhes apresentamos o fato dos órgãos sexuais fazerem parte do aparelho excretor, por onde sai a urina (e as fezes, dependendo do gosto libidinoso de cada um). Se fosse um projeto de engenharia, seria como se o parque de diversões estivesse no mesmo local do esgoto. O responsável por um trabalho tão porco, sujo e anti-higiênico deveria ser muito incompetente, e estaria desempregado. Isso para não falar do apêndice e do dente do ciso, restos evolutivos ancestrais que nossos corpos não mais usam, responsáveis por uma série de problemas de saúde incluindo graves infecções por diversas causas, frequentemente exigindo cirurgia para removê-los e o uso de antibióticos potentes. Como se pode ver, a evolução vai na contra-mão da suposta perfeição da complexidade irredutível.


8 comentários:

Cp Silk Sign disse...

Q porcaria e eu achando q era algo util, parei de ler qdo disse q foi um projetista q fez o olho humano... Fujir da escola da nisso, vira religioso...

AJPR disse...

Quem frequenta a escola não tem preguiça de ler textos inteiros... Mas não é o seu caso, pelo que parece.


Se você tivesse lido a droga do artigo INTEIRO, saberia que esse é o argumento que está sendo criticado no texto.

FABIANNO ROCHA disse...

bom texto! sensacional amo meus genes recessivos! :)

Lazarento disse...

Muito bom o texto! Pena que tem gente que faz julgamentos apenas pela introdução.

Criacionistas e defensores do DI são meros pseudo-cientistas, baseando suas teorias em "achismos" e em um livro de ficção científica mitológica.

Abs!

AJPR disse...

Científica não, pseudocientífica, sim. ;)

FabeGT disse...

Ótimo texto, as crenças religiosas já atrapalharam muito a ciência, isso não pode voltar!

Anônimo disse...

Sugiro ler o artigo do link a seguir, em resposta ao tipo de argumentação apresentada:
http://crentinho.wordpress.com/2010/06/16/os-olhos-dos-vertebrados-sao-mal-projetados/

AJPR disse...

Por mais que o Dawkins seja um ateu militante fanático, muita coisa que ele diz faz sentido. Não só o olho humano, como o cérebro e todas as outras partes do corpo são gambiarras evolutivas, cheias de "bugs" e problemas de "design" (pra quem acredita nessa tolice).

O próprio design inteligente é uma falácia de petição de princípio, mas é claro que isso é cuidadosamente deixado de lado por vocês crentes.

Além do mais, nem uma única linha do presente artigo foi refutada. Quero ver o que vocês me falam do apêndice e do dente do ciso.

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