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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Lua surgiu de uma "pancada" cósmica


A nossa Lua, satélite natural da Terra, é provavelmente o corpo celeste mais conhecido pela raça humana, podendo ser facilmente visto a olho nu em qualquer noite de céu limpo. Também já mandamos muitas sondas, naves e astronautas para lá, para desvendar os mistérios que cercam aquela grande e irregular bola rochosa e arenosa que gira ao redor da Terra a 384000 km de distância e nos presenteia com sua beleza todas as noites, brilhando ao refletir a luz do sol (o brilho não é produzido pela Lua), criando cenários que inspiraram poetas, romancistas e apaixonados desde tempos remotos. Também é a protagonista de um dos mais grandiosos e belos espetáculos da natureza, que são os eclipses, quando a sombra da Terra cobre inteiramente a Lua, ou a sombra da Lua passa pela Terra, estando estas alinhadas com o Sol. Fenômeno que frequentemente era interpretado como presságio de eventos apocalípticos ou catastróficos por místicos e supersticiosos de todas as épocas.
  

A origem do nosso satélite confunde-se com a origem turbulenta do nosso sistema solar, há mais de 4 bilhões de anos, e está diretamente relacionada à atual formação geológica da Terra. Analisando amostras de rochas trazidas pelos astronautas das missões Apollo nos anos 70, junto com outros dados disponíveis, cientistas descobriram que a superfície da Lua é composta pelos mesmos materiais que o "manto" de nosso planeta - a camada intermediária entre a sua crostra e o núcleo. Além disso, o núcleo da Lua é extremamente pequeno, compondo menos de 10% da massa do satélite. Estas evidências indicam, a princípio, que ela não poderia ter surgido de uma "nuvem" de materiais pesados, como ocorreu com a Terra e quase todos os outros grandes corpos do sistema solar, que tem uma estrutura interna mais ou menos proporcional. A Terra, por exemplo, tem um núcleo que compõe mais ou menos 30% de sua massa, sendo portanto proporcional. 


O fato da Lua ter em sua superfície o material correspondente ao manto terrestre indica que ele provavelmente foi "arrancado"  daqui por um grande impacto, o impacto de um corpo do tamanho do planeta Marte, que teria nascido na mesma órbita da Terra e foi atraído lentamente pela sua gravidade até colidir com a mesma, apenas 30 milhões de anos depois do surgimento do sistema solar. Este planeta errante foi batizado de Theia pelos cientistas, sendo o responsável pelo surgimento da Lua.


Quando Theia colidiu com a Terra, grande parte do seu núcleo afundou no nosso planeta, e o restante dos destroços do impacto, de ambos os planetas, foi atirado para a órbita, aglutinando-se e formando a Lua como a conhecemos. Isto explicaria porque o núcleo da Lua é tão pequeno, sendo este um resto do núcleo de Theia. A colisão não teria ocorrido de frente, mas sim, de lado, o que explica porque todo o núcleo do outro planeta não desapareceu. A velocidade do impacto foi de 40000 km/h, onde Theia praticamente se desintegrou.


Modelo do grande impacto, ou Big Splash, que deu origem à Lua. O movimento de Theia sendo atraído pela gravidade da Terra é parcialmente retardado, pois existem pontos onde a gravidade da Terra em relação ao Sol se anula (Pontos de Lagrange). Na figura, são os pontos L4 e L5.

Cientistas agora tentam buscar evidências físicas de que Theia existiu, ou seja, destroços do planeta perdido que ainda devem estar orbitando o Sol. Foram lançadas duas sondas espaciais gêmeas (STEREO - Solar TErrestrial RElations Observatory) em 2006, que estão "estacionadas" nos Pontos de Lagrange orbitando em lados opostos do Sol, para este fim, além de fazer um mapeamento em 3D e monitoramento da nossa estrela. Mas isto é assunto para outro artigo.


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