Com o aquecimento do mercado da construção civil e os pequenos subsídios do governo, as pessoas estão aproveitando para financiar imóveis aqui no Brasil. Inclusive a classe média emergente e a classe baixa, pelo menos uma parte delas, está conseguindo comprar as suas casas em prazos que normalmente variam de 25 a 30 anos, financiando principalmente na Caixa Econômica Federal (CEF), não comprometendo mais do que 30% da sua renda familiar. Só que, é importante observar, uma forma de escravizar as pessoas é através da força bruta, e a outra é através das dívidas, que é exatamente o que os bancos fazem.
As ofertas são tentadoras, mas escondem armadilhas contratuais, e muitas informações relevantes e que poderiam evitar essa bola-de-neve financeira não são passadas ao público, que também é preguiçoso, acomodado, e sequer se dá ao trabalho de pesquisar. Uma poupança simples, por exemplo, atualmente rende 0,5% ao mês (variando muito pouco, 0,1% a mais ou a menos em prazos de anos), e calculando-se os juros compostos, 6% ao ano. Se o sujeito for paciente e decidir juntar o dinheiro na poupança, com uma certa regularidade, certamente terá sua casa própria na metade do prazo de um financiamento e pagando-a à vista. Vamos aos cálculos, utilizando o simulador de poupança e o simulador de financiamento imobiliário da CEF: http://www8.caixa.gov.br/siopiinternet/simulaOperacaoInternet.do?method=inicializarCasoUso
Para provar, digamos que o sujeito deposita R$ 300 por mês na poupança, religiosamente, começando do zero, durante 15 anos. Com juros de 6% ao ano, ele terá exatamente R$ 86.073,57 ao fim desse prazo. Depositou R$ 54.000,00 e obteve uma renda de R$ 32.073,57. Se ele fosse financiar uma casa de R$ 86.073,57 pela CEF no programa Minha Casa Minha Vida (com uma renda mensal de R$ 1000), aqui na minha cidade, pagaria R$ 29.873,26 de entrada e mais 300 prestações decrescentes, sendo que a primeira seria de exatamente R$ 300. Ou seja, 25 anos pagando juros em cima de juros, mesmo com o pequeno subsídio de R$ 17.000 que eles dão.
Faça você mesmo as simulações, veja os resultados e se surpreenda. As pessoas são feitas de idiotas pelas propagandas. Mesmo para quem paga aluguel, talvez compense mais poupar dinheiro do que entrar de cabeça num financiamento. Mesmo considerando que os baixos rendimentos da poupança a curto prazo nada mais fazem que evitar a defasagem do dinheiro perante a inflação. Para quem deseja rendas mais altas, porém não fixas, a longo prazo, pode comprar títulos do tesouro e investir neles, cujas regras podem ser consultadas no site oficial do Tesouro Nacional.

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